segunda-feira, dezembro 6, 2021
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Afeganistão: Entenda o que está acontecendo e o retorno do Talibã ao poder

<span class="hidden">–</span>CAPRICHO/Divulgação

Nos últimos dias, notícias sobre o Afeganistão começaram a ser estampadas em jornais em vários cantos do mundo e tomaram conta das capas. Em menos de 4 meses, o Talibã, grupo extremista que governou o país há 20 anos,  voltou a dominar a maior parte do território. Neste domingo, 15, o agora ex-presidente Ashraf Ghani deixou o Afeganistão depois que forças do grupo cercarem o palácio.  Após a ocupação de Cabul, a capital, um cena de desespero viralizou na internet: a pista do aeroporto lotada, com pessoas se agarrando a aviões, tentando fugir de qualquer jeito.

Centenas de milhares de pessoas estão deixando o país, e aqueles que não conseguiram tentam fugir por terra, resultando em uma evacuação em massa pelas estradas:

Algumas nações se manifestaram e tomaram medidas durante as últimas horas. “Isso aconteceu mais rapidamente do que prevíamos”, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken. O U.S.A já começou a organizar a retirada de diplomatas norte-americanos do território e assinou um apelo, acompanhado de 60 países, pedindo para que os afegãos possam deixam o país. A Alemanha também já está retirando seus diplomatas do Afeganistão e enviou aviões. Já o Reino Unido emitiu um alerta para seus cidadãos deixarem o Afeganistão.

O que é o Talibã?

 

O Talibã é um grupo extremista que surgiu há três décadas e chegou a governar o Afeganistão entre 1996 e 2001, ano em que foi expulso do poder por forças lideradas pelos norte-americanos. O grupo foi formado em meados dos anos 90 a partir de ex-guerrilheiros mujahidin, que lutaram contra as forças soviéticas – armados pelos Estados Unidos e treinados pelo Paquistão na década de 80 -, e criado com o objetivo de impor a sua própria interpretação da Sharia, a lei islâmica. Durante o seu tempo no poder as mulheres sofreram diversos tipos de opressão, sendo obrigadas a ficar em casa, usar burca, impedidas de trabalhar e estudar. As mulheres que desobedecessem algumas dessas regras eram submetidas a humilhações e agressões em praça pública.

Após sofrer uma série de ataques da Al-Qaeda, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão em 2001 sob a suspeita de que o país refugiava ou até bancava Osama Bin Laden, líder do grupo. Assim, os norte-americanos criaram uma coalização e para entrar no país, tirando o regime do Talibã do poder e organizando eleições. Durante as duas décadas, o governo americano destinou US $83 bilhões e movimentou quase 100 mil soldados. A invasão e a guerra levou a morte de mais de 240 mil pessoas no território e, segundo estimativa da Universidade de Brown, 71 mil civis foram mortos.

Desde o mandato de Barack Obama, com a falta de propósito e os altos custos, começou a existir a sinalização de uma possível retirada das forças norte-americanas do Afeganistão, que foi assinada no governo de Trump e concretizada neste ano, já durante o mandato de Biden. Apesar de por alguns especialistas em geopolítica e em Oriente Médio, como o jornalista Guga Chacra, “a decisão da retirada dos EUA do Afeganistão foi de Trump e não estava errada, tanto que o atual presidente a manteve, o problema foi o fiasco na implementação”.

Nos últimos meses, o grupo extremista conseguiu unir mais de 85 mil combatentes e retomar o poder sobre as principais cidades do país, incluindo a capital, Cabul. Muito se fala na volta do Talibã, mas o grupo nunca deixou, de fato, de existir entretanto o conflito ficou controlado por certo tempo.

Apesar do grupo ter sinalizado para a população internacional que hoje os direitos das mulheres trabalharem, estudarem e poderem deixarem suas casas sem a companhia de um homem- porém com a obrigatoriedade do hijab -, a população segue aterrorizada com as possíveis medidas que podem já estar sendo tomadas e como devem impactar a vida das mulheres e das minorias.

“Nossos amigos vão ser mortos. Nossas mulheres não terão mais direitos”, disse uma passageira afegã que desembarcou na Índia para a BBC sobre o medo que ela e outras milhares de mulheres enfrentam em relação ao retrocesso de direitos. Segundo o veículo, outras afegãs que conseguiram fugir das regiões controladas pelo grupo contaram que combatentes do grupo estavam exigindo que meninas e mulheres fossem entregues para se casaram com eles.

Para entender como essa tomada ao poder deve afetar a realidade do país, vale contextualizar que o responsável pelo ataque a Malala Yousafzai, foi o Talibã. Em 2008, foi forçada a fugir do vale do Suate, no Paquistão, quando o grupo tomou conta da região e forçou as meninas a pararem de frequentar a escola. Nos anos seguintes a jovem começou a se posicionar pela importância da educação para as mulheres e sua voz começou a ser conhecida. Em 2012, aos 15 anos, ao voltar da escola foi baleada com um tiro na cabeça.

Mesmo após o atentado, Malala não desistiu de defender os direitos das mulheres. A jovem, que ganhou o Nobel da Paz em 2014, montou uma Fundação e está terminando seus estudos em Oxford.

“Assistimos em completo choque enquanto o Talibã assume o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos. Potências globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis”, pediu Malala em suas redes sociais.

 

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