Vinte anos depois do clássico original, Miranda Priestly voltou, e tudo o que ela representa para a moda e para a cultura pop acompanhou essa volta com força renovada
Quando “O Diabo Veste Prada” estreou em 2006, ninguém apostaria que, duas décadas depois, aquela história sobre uma jovem jornalista sobrevivendo ao inferno da alta moda continuaria tão relevante. Mas relevante é exatamente o que o filme provou ser, e a chegada da sequência aos cinemas brasileiros em 30 de abril de 2026 transformou essa relevância em algo ainda mais evidente. O segundo filme não é apenas uma continuação narrativa. É um espelho para entender como a moda, o jornalismo e as relações de poder mudaram e, em muitos pontos, não mudaram nada, em vinte anos.
Conforme registrado pela Exame e confirmado pela Wikipedia do filme, a sequência traz de volta Meryl Streep como a inesquecível Miranda Priestly, Anne Hathaway como Andy Sachs e Emily Blunt como Emily Charlton. Mas os papéis se inverteram: Andy agora é jornalista investigativa num jornal de prestígio chamado New York Vanguard, e Emily ocupa uma posição de executiva de alto escalão numa marca de luxo. Miranda, por sua vez, precisa enfrentar o colapso do jornalismo impresso e a presença incômoda de sua ex-assistente no caminho. A questão que o filme levanta, e que interessa especialmente ao público que ama moda, vai além do enredo: o que acontece com uma indústria toda quando o poder muda de mãos?
O que a história de Miranda Priestly diz sobre a moda real de 2026
A ficção de Miranda Priestly sempre foi alimentada por referências ao mundo real da alta moda, e o segundo filme não abandona essa tradição. A sinopse revelada pela UCI Cinemas indica que Miranda precisa lidar com o colapso do jornalismo impresso, uma crise que as grandes revistas de moda enfrentam de fato no mundo real. Publicações que dominaram o imaginário fashion por décadas viram suas audiências migrarem para o digital e seus modelos de negócio serem questionados pela ascensão das redes sociais e dos criadores de conteúdo independentes.
Esse contexto não é apenas pano de fundo. Ele é o coração do que o filme tenta explorar: como uma figura de poder construída sobre um meio de comunicação específico, a revista impressa de luxo, se reinventa quando esse meio entra em colapso. Para o público de moda, a pergunta é ao mesmo tempo pessoal e coletiva. As revistas que moldaram o gosto e ditaram tendências por gerações ainda têm esse papel? E quem ocupa esse espaço quando elas perdem terreno?
O elenco reforçado pela sequência, com novos nomes como Lucy Liu, Simone Ashley, Kenneth Branagh e Justin Theroux, além da música original de Lady Gaga e Doechii para a trilha sonora, indica que o segundo filme entende que precisa dialogar com um público mais amplo e mais diverso do que o original. Essa diversidade no elenco não é cosmética. Ela reflete uma indústria da moda que, mesmo com resistências, passou por transformações reais nos últimos vinte anos.
Por que o figurino do filme já é notícia antes mesmo de ser visto
No universo onde cinema e moda se cruzam, o figurino raramente é detalhe. Em filmes como “O Diabo Veste Prada”, ele é argumento. O primeiro filme tornou-se referência de estilo justamente porque as roupas contavam a história da transformação de Andy com a mesma precisão que o roteiro. A sequência promete repetir esse feito, agora em um contexto onde a moda de 2026 já é diferente, mais plural, mais consciente e mais ruidosa do que a de 2006.
Segundo o site Metrópoles, o figurino do segundo filme tem sido acompanhado de perto por fashionistas que esperam que ele capture a dualidade do momento: o glamour da alta-costura coexistindo com a informalidade das novas gerações, o poder das peças de arquivo ao lado da urgência do streetwear. Se o primeiro filme transformou certas peças em ícones instantâneos, o segundo tem a oportunidade de fazer o mesmo com a estética de 2026.
Nos bastidores da produção, a decisão de criar uma história inédita, em vez de adaptar o segundo livro de Lauren Weisberger, foi deliberada. Segundo a Exame, o roteiro foi escrito especialmente para os cinemas, o que dá à equipe criativa mais liberdade para explorar os temas contemporâneos sem a limitação da narrativa literária. Essa escolha pode ser o que diferencia o segundo filme de uma simples nostalgia e o transforma em algo com vida própria.
O que esperar da relação entre cinema e moda após o lançamento
O impacto de “O Diabo Veste Prada 2” no mercado de moda não se limita ao período de lançamento. A história mostra que filmes com forte identidade visual e conexão com o mundo fashion geram ondas de interesse que duram meses, às vezes anos. No Brasil, onde o filme arrecadou sozinho R$ 6 milhões apenas nas prévias de lançamento, segundo a Wikipedia do filme, o impacto cultural promete ser significativo.
Tendências inspiradas nos figurinos do longa já devem aparecer nas vitrines das lojas e nas postagens dos influenciadores ainda no primeiro semestre de 2026. Essa relação entre tela e guarda-roupa é parte da cultura fashion contemporânea, e filmes com esse perfil são, também, um espelho para entender o que a indústria valoriza no momento. O retorno de Miranda Priestly, nesse sentido, não é apenas o retorno de um personagem. É o retorno de uma conversa que o mundo da moda nunca chegou a terminar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
Fontes: Exame | Wikipedia | CNN Brasil | Metrópoles