A beleza coreana chega ao Brasil com foco em saúde da pele, texturas leves e rotinas mais personalizadas.
A beleza coreana deixou de ser apenas uma referência de nicho para se transformar em uma das tendências mais relevantes do skincare no Brasil. Nos últimos dias, o avanço do K-beauty voltou a ganhar atenção, impulsionado pela presença de marcas coreanas no mercado brasileiro, pela influência de criadores de conteúdo e pelo interesse crescente em cuidados preventivos com a pele. A tendência também acompanha um movimento internacional de valorização de rotinas mais personalizadas e menos dependentes de maquiagem pesada.
A principal dúvida para quem acompanha o universo da beleza, porém, não é simplesmente quais produtos coreanos estão em alta. A questão mais útil é entender o que realmente caracteriza o K-beauty e como adaptar seus princípios sem transformar a rotina em uma sequência exagerada de produtos. Esse cuidado é especialmente importante no Brasil, onde clima, exposição solar, hábitos e disponibilidade de cosméticos são diferentes dos encontrados na Coreia do Sul.
Por que o K-beauty voltou a dominar as conversas sobre skincare
O crescimento do K-beauty no Brasil está ligado a uma combinação de cultura, redes sociais e mudanças no comportamento de consumo. A influência de K-dramas, K-pop e criadores de conteúdo ajudou a popularizar uma estética associada à pele bem cuidada, enquanto as marcas coreanas ampliaram sua presença internacional. Segundo levantamento divulgado pela Folha, as exportações de cosméticos sul-coreanos para o Brasil chegaram a US$ 54,3 milhões em 2025, mostrando que o interesse deixou de ser apenas uma tendência de internet e passou a movimentar o mercado.
Um dos conceitos mais conhecidos é o chamado “glass skin”, expressão usada para descrever uma aparência luminosa e hidratada. Mas o ponto mais interessante da tendência está menos na aparência final e mais na mudança de lógica: o skincare passa a ocupar um espaço central na rotina de beleza, enquanto a maquiagem pode funcionar como complemento. Essa visão conversa com o cenário global de 2026, no qual especialistas vêm observando maior interesse por produtos funcionais, texturas confortáveis e rotinas voltadas à manutenção da pele.
No Brasil, essa expansão também encontra um mercado de enorme dimensão. A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) informa que o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais movimentou cerca de R$ 200 bilhões em 2025 e colocou o país como terceiro maior mercado consumidor mundial. A entidade também destaca que os produtos da categoria estão presentes em todos os domicílios brasileiros, enquanto a indústria mantém forte investimento em inovação e internacionalização.
Como incorporar a estética coreana sem exagerar na rotina
A principal lição do K-beauty para quem está começando é que uma rotina eficiente não precisa ser longa. Em vez de copiar automaticamente as famosas rotinas com várias etapas, vale observar os princípios por trás delas: limpeza adequada, hidratação, proteção solar e escolha de produtos compatíveis com as necessidades individuais. Séruns, essências, máscaras e outros itens podem entrar posteriormente, mas não precisam ser utilizados todos ao mesmo tempo para que a rotina tenha inspiração coreana.
Outro aspecto importante é prestar atenção às texturas. O mercado coreano ajudou a popularizar fórmulas leves, camadas finas de hidratação e produtos desenvolvidos para diferentes necessidades de pele. Para o público brasileiro, isso pode ser especialmente interessante em regiões quentes, nas quais produtos muito pesados podem ser menos confortáveis. A melhor adaptação, portanto, é aquela que considera o clima e a rotina de cada pessoa, em vez de tentar reproduzir exatamente uma sequência vista nas redes sociais.
A proteção solar também aparece como elemento central dessa conversa. A própria ABIHPEC realizou, entre 19 e 21 de agosto, a 10ª edição do Webinar Internacional de Fotoproteção, com o tema “Proteção Solar: Rumo à Longevidade”, mostrando como a fotoproteção permanece no centro das discussões de inovação do setor. Para o consumidor, isso reforça uma ideia simples: antes de buscar uma coleção extensa de cosméticos, é mais interessante construir uma rotina básica e consistente.
O que a popularização do K-beauty revela sobre a beleza em 2026
Mais do que uma moda passageira, a expansão do K-beauty revela uma transformação na maneira como o consumidor enxerga beleza. A tendência combina estética, tecnologia, cultura pop e informação, mas também acompanha a busca por produtos que tenham função clara. A ABIHPEC aponta que consumidores brasileiros estão cada vez mais associados ao conceito de cuidado integral, enquanto jovens adultos ampliam o uso de novas categorias de beleza.
Essa transformação também cria espaço para a sustentabilidade e para a inovação brasileira. Em agosto, a ABIHPEC e a ApexBrasil anunciaram um novo ciclo do projeto Beautycare Brazil, com mais de 30 iniciativas de internacionalização previstas para os próximos dois anos e uma estratégia que inclui fabricantes, fornecedores de ingredientes, embalagens e serviços especializados. O movimento mostra que a influência internacional não precisa significar apenas importar tendências: empresas brasileiras também podem observar o que funciona em outros mercados e desenvolver soluções adaptadas ao consumidor local.
Para quem acompanha moda e beleza, talvez essa seja a parte mais interessante da tendência. O K-beauty não precisa ser encarado como um padrão estético a ser reproduzido literalmente, mas como uma fonte de ideias sobre textura, formulação, praticidade e autocuidado. A popularidade das marcas coreanas ainda pode crescer, mas o verdadeiro legado da tendência pode estar na valorização de escolhas mais conscientes e personalizadas.
No fim, a melhor forma de trazer o K-beauty para a rotina brasileira é separar tendência de necessidade. Em vez de comprar vários produtos apenas porque aparecem nas redes sociais, vale entender a função de cada fórmula, observar como a pele reage e priorizar uma rotina simples e consistente. Esse comportamento combina com uma indústria brasileira que já tem enorme relevância global e segue investindo em inovação, sustentabilidade e internacionalização. Para o leitor apaixonado por beleza, a mensagem de 2026 é clara: a influência coreana continua forte, mas a tendência mais sofisticada é transformar referências globais em escolhas que realmente façam sentido para a própria rotina.
Fontes:
- Folha de S.Paulo — K-beauty ganha espaço no Brasil
- CNN Brasil — Produtos de K-beauty adotados por celebridades
- Guia da Farmácia — Brasil e México lideram avanço da K-Beauty
- ABIHPEC — Panorama do Setor de Beleza e Cuidados Pessoais
- ABIHPEC — Setor de Beleza e Cuidados Pessoais bate recorde de exportações
- ABIHPEC — Projeto Beautycare Brazil
- Correio Braziliense — Tecnologia impulsiona nova geração da K-Beauty
- Meio & Mensagem — K-beauty como estratégia no varejo brasileiro