Entre as cidades incluídas por Antonella Giancoli, da Benarrivati, está Amalfi, que se tornou autônoma no século IX e se afirmou como potência marítima nos séculos seguintes. As Tavole Amalfitane, ligadas à tradição jurídica da cidade, tornaram-se referência para a navegação no Mediterrâneo
Hoje associada às encostas sobre o mar e às paisagens da Costa Amalfitana, Amalfi ocupou, durante a Idade Média, uma posição muito diferente no Mediterrâneo. A cidade tornou-se autônoma em 839 e, especialmente entre os séculos X e XI, consolidou uma rede comercial que alcançava portos como Constantinopla, Alexandria e outros centros do Mediterrâneo.
É esse passado que Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, procura incorporar aos roteiros pela costa. A proposta é acrescentar à paisagem uma leitura histórica da cidade que, ao lado de Genova, Pisa e Veneza, passou a ser lembrada como uma das quatro antigas repúblicas marítimas italianas.
Um código marítimo que sobreviveu ao poder de Amalfi
Entre os principais vestígios dessa história estão as Tavole Amalfitane, conjunto de normas que regulava relações ligadas à navegação e ao comércio marítimo, incluindo direitos e deveres de marinheiros, mercadores e proprietários de embarcações.
Os capítulos que chegaram até hoje são associados aos séculos XI e XII e continuaram a exercer autoridade em portos do Mediterrâneo durante séculos, mesmo depois que Amalfi perdeu sua independência política e passou ao domínio normando.
Por que ela considera importante conhecer essa história
Para Antonella, entender o passado marítimo muda a leitura de uma cidade que muitos visitantes conhecem primeiro pela paisagem.
“Amalfi fica muito associada à beleza da costa, mas existe uma história comercial e marítima muito mais profunda por trás dessa imagem. Quando a família entende que dali partiram mercadores, rotas e normas de navegação que circularam pelo Mediterrâneo, a própria cidade passa a ser vista de outra maneira”, explica Antonella Giancoli.
A história também ajuda a situar Amalfi dentro das conexões que aproximavam o Ocidente latino, o mundo bizantino e os centros comerciais do Mediterrâneo islâmico durante a Idade Média.
Um antigo arsenal guarda parte dessa memória
Próximo ao mar, o Arsenale della Repubblica oferece um vestígio concreto desse período. Documentado desde 1042, o edifício era utilizado para a construção e o reparo de embarcações, principalmente galés. Da estrutura original permanecem duas naves e dez pilares de pedra.
Hoje, o espaço abriga o Museo della Bussola e del Ducato Marinaro, com documentos, moedas, instrumentos náuticos e peças relacionadas à história marítima da cidade. Entre elas está a Tabula de Amalpha, ligada à tradição jurídica que tornou Amalfi uma referência no direito da navegação medieval.
Nos roteiros da Benarrivati, dedicar tempo a esse capítulo histórico permite olhar Amalfi para além de sua condição de destino costeiro. Antes de ser uma das imagens mais reconhecidas do sul da Itália, a cidade já participava ativamente das redes que conectavam diferentes partes do Mediterrâneo medieval.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.