Semanas de moda ao redor do mundo indicam uma temporada mais expressiva, enquanto o Rio Fashion Week reforça referências nacionais e aponta caminhos para o consumo consciente
A moda para 2026 parece ter decidido virar a página do minimalismo que dominou boa parte dos últimos anos. Depois de temporadas marcadas pela estética silenciosa e por paletas discretas, as passarelas internacionais e nacionais mostram um movimento inverso: cores intensas, styling elaborado e peças que pedem protagonismo. Segundo análise da ELLE Brasil, o próximo ciclo aponta para tendências expressivas, ousadas e cheias de personalidade, com as tendências voltando a funcionar como ferramentas de expressão, impacto e construção de imagem. Esse recuo do “quiet luxury” não significa abandono da sofisticação, mas uma reformulação de como ela se manifesta no guarda-roupa do dia a dia. ELLE
Layering e sobreposição definem o styling da nova temporada
Uma das apostas mais fortes para 2026 é o retorno do layering como elemento central da composição de looks, e não apenas como recurso prático para dias mais frios. De acordo com a ELLE Brasil, blusas por cima de camisas, vestidos sobrepostos a calças e a mistura de comprimentos e texturas criam composições mais complexas, e o layering reforça a ideia de moda como construção e narrativa, prometendo se tornar um dos maiores códigos de estilo do ano. Essa lógica também apareceu nas semanas de moda de verão realizadas em Nova York, Londres e Milão, que abriram a temporada com uma quantidade recorde de trocas de diretores criativos. A publicação aponta que as coleções de verão 2026 revelam menos rupturas e mais reinterpretações, equilibrando sensualidade revisitada, alfaiataria poderosa e um romantismo mais funcional.
Em Nova York, duas correntes dividiram as atenções: de um lado, marcas como Luar, Diotima e PatBo trouxeram de volta franjas, flores e texturas decorativas; do outro, nomes tradicionais como Calvin Klein, Ralph Lauren e Tory Burch reforçaram cortes precisos, ombros amplos e tons mais sóbrios. Já em Londres, a resposta veio em forma de serenidade, com rendas, transparências e drapeados funcionando como um contraponto à saturação estética observada nas últimas temporadas. Esse contraste entre o decorativo e o funcional é justamente o que deve orientar as escolhas de consumo ao longo do ano, já que dificilmente uma única estética vai prevalecer sobre as demais nas vitrines brasileiras.
Rio Fashion Week reforça a identidade brasileira nas passarelas
No Brasil, o Rio Fashion Week 2026 trouxe uma leitura própria dessas tendências globais, com forte apelo à identidade nacional. Conforme reportagem do Fashion Bubbles, o evento apresentou dez tendências que dominaram as passarelas cariocas, com destaque para texturas fluidas e trabalho artesanal. Marcas como Helo Rocha exploraram saias com camadas de tule e cetim, enquanto Isabela Capeto investiu em vestidos boho com leveza e feminilidade. O bordado também ganhou espaço, com a Hisha apresentando peças ricas em detalhes artesanais e a Misci utilizando franjas para criar movimento e reforçar identidade cultural nas roupas.
Outro ponto de destaque do evento carioca foi o chamado “Brasilcore”, um movimento estético que se apropria de elementos esportivos e nacionais em sintonia com o clima gerado pela proximidade da Copa do Mundo. Marcas como Adidas e Blueman exploraram referências que remetem à identidade do país, reforçando o orgulho nacional dentro do universo fashion. Silhuetas com volume no quadril também chamaram atenção, como nas peças estruturadas da Argalji e no blazer com babados apresentado pela Dendezeiro, que propôs uma releitura das proporções tradicionais. Para o Fashion Bubbles, essas tendências evidenciam uma moda que valoriza tanto a estética quanto a narrativa, reforçando o protagonismo do Brasil no cenário internacional.
O clima também ajuda a moldar as escolhas de estilo
Além das passarelas, eventos regionais de moda ajudam a traduzir essas tendências para o consumo prático. É o caso do POA Fashion Iguatemi, em Porto Alegre, que reuniu desfiles de nomes como Alexandre Herchcovitch e C&A, com forte presença do universo athleisure. Segundo reportagem do site Steal the Look, o inverno 2026 deve ser marcado por sobreposições inteligentes, alfaiataria repaginada e um toque esportivo que caminha do utilitário ao sofisticado sem parecer forçado. O evento também trouxe referências ao futebol e a elementos nacionais, conectando dois temas que continuam relevantes no imaginário da moda brasileira, com cores, estampas e detalhes usados como ferramentas de identidade e atualidade nos looks apresentados ao público.
O que essas tendências significam para quem compra roupa no dia a dia
Para o consumidor final, o principal recado dessas passarelas é que vestir bem em 2026 não depende de seguir uma única fórmula. A convivência entre o decorativo e o minimalista, entre o artesanal e o esportivo, abre espaço para que cada pessoa monte combinações próprias a partir de peças que já existem no armário. O layering, por exemplo, pode ser aplicado com roupas básicas, sem necessidade de compras extensas, bastando repensar a forma de combinar camadas e texturas diferentes em um mesmo look. Já as referências brasileiras que ganharam força no Rio Fashion Week tendem a aparecer de forma mais acessível em coleções de varejo ao longo do ano, à medida que marcas nacionais absorvem esses códigos estéticos para suas linhas comerciais.
Vale reforçar que tendências de passarela não são regras rígidas, e sim indicações de direção. A alfaiataria mais leve, os tons sóbrios das grandes marcas americanas e as texturas artesanais brasileiras convivem lado a lado justamente porque a moda de 2026 parece menos interessada em impor um único estilo e mais focada em ampliar as possibilidades de expressão pessoal. Quem acompanha esse movimento de perto percebe que o consumo consciente também está presente nessa equação, já que muitas dessas propostas favorecem o reaproveitamento de peças básicas em vez de estimular o descarte constante do guarda-roupa.
Fontes consultadas:
https://elle.com.br/materia/5-tendencias-de-moda-que-prometem-bombar-em-2026https://elle.com.br/moda/20-tendencias-de-verao-2026-para-ficar-de-olhohttps://www.fashionbubbles.com/estilo/tendencias-rio-fashion-week-2026/https://stealthelook.com.br/moda-inverno-2026-essas-sao-as-tendencias-que-vao-dominar-a-temporada/