Depois de anos de minimalismo discreto, a moda desta temporada voltou a pedir atenção, e o brasileiro já sentiu essa virada no armário e nas ruas
Existe um ponto em que a moda para de ser apenas tendência e começa a funcionar como termômetro cultural. O inverno 2026 chegou a esse ponto. Nas passarelas de Londres, Paris e Milão, e nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, o mesmo sinal aparece: a moda voltou a querer ser vista. Depois de temporadas dominadas por neutros, silhuetas relaxadas e o que ficou conhecido como “modo discreto de se vestir”, as coleções desta estação apostam em presença, volume e cores que ocupam espaço. Para quem acompanha moda há mais tempo, a referência é imediata: os anos 1980 voltaram, mas dessa vez com vocabulário contemporâneo.
O chamado “power dressing”, que marcou a estética feminina de poder na Era Reagan e das primeiras mulheres executivas, reapareceu nas passarelas internacionais com uma leitura nova. Segundo a ELLE Brasil, o espírito dos anos 1980 ressurge com força total nesta temporada, trazendo ombreiras marcadas, couro, volumes estratégicos e cores vibrantes. A estética celebra confiança e presença visual de uma forma que vai além da nostalgia. Ela responde a um desejo real do consumidor contemporâneo: ser visto, ser reconhecido e comunicar algo com o que veste. Mas o que exatamente você deve incorporar no guarda-roupa agora, e o que pode esperar até a próxima temporada?
O que realmente está em alta e por que funciona
A lista de tendências do inverno 2026 é generosa, mas alguns elementos se destacam pela coerência e pelo potencial de durar além de uma única temporada. O bordô é talvez o exemplo mais claro. Segundo o blog da You.com, o tom surgiu como uma das apostas mais fortes para o outono/inverno, funcionando tanto como peça protagonista quanto como detalhe que transforma produções básicas. É intenso, marcante e versátil ao mesmo tempo, o que o torna uma escolha segura para quem quer atualizar o visual sem correr riscos.
Os tons terrosos, por sua vez, continuam firmes e agora ganham novos companheiros. Marrom, caramelo, ocre, verde musgo e terracota aparecem em combinações que constroem looks com profundidade visual sem depender de estampas ou volumes exagerados. Para o mercado brasileiro, onde o inverno não é rigidamente frio na maior parte do território, essa paleta funciona excepcionalmente bem por adaptar-se a camadas leves e peças de transição entre estações.
As franjas são outra aposta consolidada da temporada. A ELLE Brasil destaca que elas ganham uma nova dimensão neste inverno: mais longas, mais densas e mais teatrais. Aparecem em vestidos, saias, jaquetas e, principalmente, em bolsas, criando movimento e impacto visual imediato. A renda, clássico que sempre retorna, aparece desta vez misturada a tecidos estruturados e aplicada em peças casuais como camisas, quebrant a hierarquia entre o formal e o cotidiano. Essas combinações são mais fáceis de incorporar do que parecem, especialmente quando tratadas como pontos de destaque em produções mais simples.
O que as ruas brasileiras estão dizendo sobre essas tendências
Nas ruas das grandes cidades brasileiras, a recepção das tendências internacionais sempre passa por um filtro local, e isso é positivo. A moda brasileira tem uma relação histórica com a cor, com a leveza e com a adaptação criativa, o que resulta em leituras próprias das tendências globais. O power dressing, por exemplo, chegou ao Brasil com blazers de alfaiataria em tons escuros, combinados com calças largas e tênis, numa mistura que dialoga com o rigor da tendência sem abrir mão do conforto que o clima exige.
O sapato oxford, apontado pela ELLE Brasil como um dos itens indispensáveis da temporada, também ganhou terreno nas ruas brasileiras. Em versões com solados robustos e acabamentos diferenciados, ele aparece equilibrando looks femininos e produções com alfaiataria ampla. Esse tipo de peça funciona como articulador entre tendências: é o item que conecta a saia com franja ao look de escritório, ou o blazer com ombreira ao jeans do dia a dia.
Para quem acompanha as semanas de moda brasileiras, o Rio Fashion Week de 2026 sinalizou algo importante: os designers nacionais estão trabalhando com essas referências globais a partir de uma perspectiva local, e o resultado é uma moda que honra a temporada sem perder sua identidade tropical. Tecidos mais leves com silhuetas mais estruturadas, sobreposições inteligentes e um uso preciso da cor são as marcas dessa interpretação brasileira do inverno fashion global.
Como montar o look certo sem gastar além do necessário
A grande dúvida de quem quer entrar no guarda-roupa da temporada sem comprometer o orçamento é: por onde começar? A resposta mais prática passa pela ideia de investir em uma ou duas peças âncora que ativem o que já existe no armário. Um blazer com estrutura, uma peça em bordô ou uma bolsa com detalhe de franja são capazes de transformar combinações já conhecidas em looks completamente atualizados.
Lojas como a Riachuelo e outros varejistas brasileiros já oferecem interpretações acessíveis de todas as tendências mencionadas, o que democratiza o acesso sem exigir orçamento de grife. O importante é entender que a moda do inverno 2026 não pede quantidade. Ela pede escolha. Uma peça bem escolhida, com presença visual e versátil o suficiente para combinar com o que você já tem, entrega exatamente o que a temporada propõe: expressão com personalidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
Fontes: ELLE Brasil – Tendências 2026 | Blog You.com | Blog Riachuelo