A relação entre serviços funerários e políticas públicas é mais profunda do que muitas pessoas imaginam, conforme avalia Tiago Schietti. Embora o atendimento funerário seja frequentemente associado à iniciativa privada, ele está diretamente ligado a decisões do poder público, normas regulatórias e responsabilidades sociais que envolvem saúde, urbanismo, meio ambiente e dignidade humana. Trata-se de um serviço essencial, que precisa funcionar de forma contínua, organizada e acessível à população.
Entender essa relação é fundamental para compreender como o setor funerário se estrutura, quais são seus limites de atuação e de que forma políticas públicas bem definidas podem contribuir para um atendimento mais justo, transparente e alinhado às necessidades da sociedade.
O serviço funerário como atividade de interesse público
De acordo com Tiago Schietti, os serviços funerários são considerados atividades de interesse público, pois atendem a uma necessidade coletiva inevitável. Independentemente do modelo de gestão adotado, seja público, privado ou misto, sua operação precisa seguir regras claras que garantam respeito, segurança sanitária e dignidade no atendimento às famílias.
Cabe ao poder público estabelecer diretrizes que assegurem o funcionamento adequado do setor, definindo normas para concessões, autorizações, fiscalização e prestação do serviço. Essas políticas buscam evitar abusos, assegurar padrões mínimos de qualidade e garantir que a população tenha acesso a serviços essenciais, inclusive em situações de vulnerabilidade social.
Acesso da população aos serviços funerários
Um desafio central das políticas públicas relacionadas ao setor funerário é garantir o acesso universal aos serviços, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade econômica. Em muitos municípios, o poder público oferece assistência funerária básica, assegurando o direito a uma despedida digna independentemente da condição financeira.

Esse apoio social exige planejamento, orçamento e integração entre secretarias de assistência social, saúde e administração. Na análise de Tiago Schietti, quando bem executado, esse serviço reduz desigualdades e evita que famílias enfrentem situações ainda mais traumáticas em momentos de perda.
Por outro lado, a ausência ou precariedade dessas políticas pode gerar exclusão, informalidade e sobrecarga emocional e financeira para quem já se encontra fragilizado.
Políticas públicas e planejamento urbano
A relação entre serviços funerários e políticas públicas também se manifesta de forma clara no planejamento urbano. A gestão de cemitérios, a expansão urbana, as restrições ambientais e a escassez de espaço nos grandes centros exigem decisões estratégicas do poder público.
Sem planejamento adequado, surgem conflitos relacionados ao uso do solo, impactos ambientais e dificuldade de ampliação ou modernização das estruturas existentes. Nesse contexto, políticas públicas precisam considerar alternativas como verticalização de cemitérios, ampliação de crematórios e integração do setor funerário às discussões urbanas de longo prazo.
Para Tiago Schietti, essas decisões impactam diretamente a operação das empresas e a experiência das famílias atendidas.
Pontos de interseção entre setor funerário e políticas públicas
Alguns temas evidenciam de forma clara como o setor funerário depende de políticas públicas bem definidas:
- Regulação e fiscalização dos serviços funerários;
- Assistência funerária para populações vulneráveis;
- Normas sanitárias e ambientais;
- Planejamento e gestão de espaços cemiteriais;
- Concessões, permissões e modelos de gestão;
- Transparência e defesa do consumidor;
- Qualificação profissional e condições de trabalho.
Esses pontos mostram que o setor funerário não atua de forma isolada, mas integrado a uma rede de responsabilidades públicas.
Desafios na relação entre poder público e setor funerário
Apesar da importância dessa relação, ainda existem desafios significativos, como pontua Tiago Schietti. A falta de padronização entre municípios, a burocracia excessiva ou, em alguns casos, a ausência de regulamentação clara dificultam o desenvolvimento do setor e comprometem a qualidade do serviço.
Além disso, mudanças políticas frequentes podem gerar instabilidade regulatória, impactando investimentos, planejamento de longo prazo e inovação. Para o setor funerário, isso exige capacidade de adaptação e diálogo constante com o poder público.
Serviços funerários como parte da política de dignidade humana
No fim, a relação entre serviços funerários e políticas públicas está diretamente ligada à forma como a sociedade enxerga a dignidade humana. Garantir uma despedida respeitosa, segura e acessível não é apenas uma questão de mercado, mas de cidadania. Quando políticas públicas reconhecem essa importância e atuam de forma integrada com o setor funerário, os benefícios se estendem para toda a sociedade.
Autor: Nikita Cherkasov