A estreia da Palco coloca a construção das roupas no centro da experiência de moda masculina. Criada pelo estilista Luiz Claudio Silva e pelo designer de acessórios Carlos Penna, a marca apresentou sua primeira coleção em São Paulo no dia 30 de setembro de 2026, em um desfile-performance realizado na União Fraterna. O projeto parte de referências reconhecíveis, como blazers, calças e trench coats, mas desloca essas peças para uma linguagem marcada por volumes, texturas e materiais pouco convencionais.
Mais do que reunir itens de alfaiataria em uma coleção, a Palco explora como a roupa pode ganhar presença por meio de sua estrutura. As silhuetas apresentadas no desfile trabalham proporções amplas e construções que alteram a leitura tradicional do guarda-roupa masculino. Nesse contexto, a alfaiataria aparece como ponto de partida para experimentações de forma, e não como limite para a criação.
Alfaiataria como ponto de partida
A coleção reúne calças, blazers e trench coats, peças associadas à construção precisa e ao repertório clássico da moda masculina. Na proposta da Palco, entretanto, esses elementos convivem com uma abordagem mais aberta de volume e acabamento. O resultado descrito pela ELLE Brasil é uma apresentação que combina a estrutura da alfaiataria com soluções têxteis e acessórios de caráter experimental.
Essa combinação também ajuda a definir a identidade inicial da marca. Em vez de separar roupa e acessório, o projeto reúne as especialidades de seus dois fundadores: a experiência de Luiz Claudio Silva na criação de vestuário e o trabalho de Carlos Penna com acessórios. A parceria orienta uma coleção em que a silhueta, a textura e os elementos metálicos participam de uma mesma composição visual.
O desfile-performance na União Fraterna reforça esse entendimento da coleção como uma apresentação que vai além da exposição isolada das peças. A estreia foi organizada para evidenciar as relações entre corpo, roupa, volume e matéria. Com isso, a Palco se apresenta ao público paulistano a partir de uma proposta autoral voltada à moda masculina contemporânea.
Materiais que mudam a percepção da roupa
Entre os recursos mais incomuns da coleção estão as malhas feitas com fios de cobre e fibras de pneu. Os materiais aparecem em blusas volumosas construídas por meio de moulage, técnica utilizada para desenvolver a peça diretamente sobre uma base tridimensional. A escolha interfere tanto na textura quanto no comportamento visual das roupas, criando superfícies e formas que se afastam do acabamento convencional da alfaiataria.
O uso do cobre acrescenta uma dimensão metálica à coleção, enquanto as fibras de pneu introduzem uma matéria associada a outro universo de uso. Na Palco, esses elementos são incorporados ao vestuário e passam a fazer parte da construção das silhuetas. A proposta não trata os materiais apenas como detalhes decorativos: eles integram a própria estrutura de algumas peças e contribuem para o volume das blusas.
Também aparecem na coleção peças de cetim, crochê e acessórios metálicos. A variedade de superfícies amplia o contraste entre os itens mais tradicionais e os experimentais. O cetim acrescenta brilho e fluidez ao conjunto; o crochê introduz uma dimensão manual e vazada; já os acessórios metálicos dialogam com a presença dos fios de cobre e com a pesquisa de materiais conduzida pela marca.
Uma estreia autoral em São Paulo
A apresentação da Palco acontece em um momento de busca por novas interpretações para o vestuário masculino brasileiro, mas a coleção se destaca por concentrar essa investigação em técnicas e matérias concretas. A marca não abandona referências conhecidas: parte de calças, blazers e trench coats para desenvolver uma proposta que combina rigor construtivo e liberdade formal.
Para o público interessado em moda masculina, a estreia sinaliza um projeto em que a roupa é pensada simultaneamente como construção, superfície e acessório. O trabalho de Luiz Claudio Silva e Carlos Penna reúne alfaiataria, moulage, crochê, cetim, cobre e fibras de pneu em uma mesma coleção, criando uma identidade visual baseada no contraste entre o reconhecível e o inesperado.
Apresentada na União Fraterna, em São Paulo, a primeira coleção da Palco estabelece esse vocabulário por meio de volumes amplos, experimentações têxteis e uma relação próxima entre vestuário e acessórios. A estreia transforma a alfaiataria em um campo de pesquisa e coloca os materiais no centro da narrativa da nova marca.