A H&M levou a inteligência artificial para o centro da passarela durante a London Fashion Week. Apresentado em 17 de setembro de 2026, o desfile H&M&YOU&I combinou as coleções de outono/inverno da marca com fotografia, ilustração, performance e imagens produzidas em tempo real. A proposta transformou a apresentação em uma experiência visual interativa, na qual os movimentos dos modelos influenciavam o conteúdo projetado no espaço.
O projeto foi desenvolvido com direção criativa do fotógrafo britânico Nick Knight e participação da plataforma SHOWstudio. Segundo a H&M Group, a tecnologia foi utilizada para criar filmes de moda durante a própria apresentação, aproximando a experiência física do desfile de uma linguagem digital e participativa.
Como funcionou o desfile interativo
A estrutura da apresentação tinha 40 metros de comprimento e reunia espelhos curvos, instalações audiovisuais e projeções interativas. Nesse ambiente, as imagens exibidas reagiam à movimentação dos modelos, criando uma relação direta entre o corpo presente na passarela e os elementos digitais que apareciam ao redor dele.
O conteúdo visual foi elaborado a partir de imagens produzidas em estúdio com a modelo Alex Consani e o ator Archie Renaux, além de ilustrações assinadas por Cliff Warner. De acordo com as informações divulgadas sobre o projeto, esse material foi processado quadro a quadro para gerar alterações visuais e movimentos controlados ao longo do desfile.
O resultado não foi apresentado apenas como uma sequência de looks, mas como uma composição audiovisual em transformação. A passarela, os reflexos e as projeções formavam uma ambientação capaz de mudar conforme a ação dos modelos, fazendo com que a tecnologia participasse da narrativa da coleção.
Moda, performance e participação humana
Apesar do uso de inteligência artificial, a proposta de H&M e Nick Knight não foi descrita como uma substituição dos profissionais envolvidos na produção de moda. Fotógrafos, modelos, ilustradores e demais integrantes da equipe permaneceram na base do processo criativo, enquanto as ferramentas digitais foram usadas para ampliar e reorganizar as imagens produzidas por eles.
Em análise publicada pela Vogue Business, o uso da tecnologia aparece associado à criação de imagens e filmes de moda em tempo real. A abordagem desloca a inteligência artificial de uma função puramente promocional ou de edição posterior para dentro do próprio evento, em contato direto com a apresentação e com o público.
Essa escolha também coloca em evidência um debate cada vez mais presente no setor: como incorporar novas ferramentas sem apagar a autoria e o trabalho humano. No caso do H&M&YOU&I, a inteligência artificial funcionou como parte de um sistema visual mais amplo, que envolveu direção criativa, fotografia, ilustração, performance e design de espaço.
As coleções apresentadas em Londres
O desfile apresentou peças das linhas H&M Studio e H&M Atelier. A abertura contou com a participação da bailarina brasileira Ingrid Silva, acrescentando um elemento performático à apresentação e reforçando a conexão entre movimento corporal e imagens digitais.
Também participaram do projeto Alex Consani e Archie Renaux, cujas imagens produzidas em estúdio foram incorporadas ao desenvolvimento visual do desfile. A trilha sonora ficou associada ao músico Labrinth, enquanto a apresentação reuniu outros nomes da moda, da música e do entretenimento em Londres.
Mais do que servir como cenário, a tecnologia foi integrada à forma como as coleções eram apresentadas. O desfile combinou roupas, iluminação, reflexos e animações em um mesmo ambiente, sugerindo uma mudança na maneira como marcas podem construir experiências durante as semanas de moda.
O que a experiência indica para a moda
O caso da H&M mostra como a inteligência artificial começa a ocupar um espaço mais abrangente na comunicação de moda. Em vez de aparecer somente em campanhas, imagens conceituais ou ferramentas de criação, ela passa a interferir na experiência ao vivo, alterando o conteúdo visual conforme a apresentação acontece.
Essa estratégia amplia o papel do público, que deixa de observar apenas uma sequência linear de entradas e passa a acompanhar um ambiente em constante transformação. Ao mesmo tempo, mantém a coleção e os profissionais envolvidos no centro da experiência, usando os recursos digitais para criar novas camadas de interpretação.
Realizado durante a London Fashion Week e divulgado oficialmente pela H&M em 19 de setembro de 2026, o H&M&YOU&I representa uma aposta na união entre moda, performance e tecnologia. A apresentação reforça que o futuro dos desfiles pode envolver não apenas roupas e cenografia, mas também sistemas visuais capazes de responder ao espaço e ao movimento em tempo real.