Steven Kolb deixou a presidência e o cargo de CEO do Council of Fashion Designers of America (CFDA) após se envolver em um confronto físico com ativistas da People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) durante um desfile da COS, em Nova York. A renúncia foi anunciada pelo conselho em 18 de setembro de 2026, poucos dias depois do episódio ocorrido durante a New York Fashion Week.
O caso colocou no centro do debate a relação entre protestos contra o uso de matérias-primas de origem animal, a atuação de marcas internacionais e a responsabilidade de dirigentes de entidades que representam a indústria da moda. Kolb estava ligado ao CFDA havia mais de duas décadas e ocupava o posto de CEO há 15 anos, segundo informações divulgadas pela imprensa especializada.
Confronto ocorreu durante desfile da COS
A manifestação aconteceu em 13 de setembro, durante a apresentação da COS, marca pertencente ao grupo H&M. Os ativistas interromperam o desfile para protestar contra o uso de lã na moda. Registros em vídeo mostraram Kolb tentando retirar manifestantes da passarela e segurando fisicamente pelo menos dois deles.
De acordo com a Associated Press, o episódio provocou repercussão imediata no setor. A apresentação foi interrompida pela manifestação, enquanto o comportamento do executivo passou a ser analisado tanto pelo conselho quanto pelo público que acompanhava a semana de moda nova-iorquina.
A PETA afirmou que o protesto tinha como alvo a utilização de lã pela H&M e pela COS. Em comunicado publicado pela organização, os ativistas relacionaram a mobilização a alegações sobre uma operação de produção de lã certificada pela NATIVA, sistema associado à cadeia de fornecimento do grupo H&M. Essas afirmações foram apresentadas pela própria PETA e não devem ser tratadas como conclusões independentes desta reportagem.
Pedido de desculpas e afastamento
No dia seguinte ao confronto, em 14 de setembro, Kolb pediu desculpas e afirmou que não havia justificativa para sua reação. O executivo também comunicou que se afastaria voluntariamente de suas atividades profissionais. O CFDA confirmou que ele permaneceria de licença enquanto o conselho realizava uma revisão interna sobre o ocorrido.
A ABC News informou que o afastamento ocorreu após a repercussão das imagens e das declarações relacionadas ao episódio. A decisão de deixar temporariamente as funções antecedeu a renúncia definitiva anunciada quatro dias depois pelo conselho que dirige uma das principais entidades da moda norte-americana.
Ao anunciar a saída, o CFDA reconheceu a trajetória de Kolb na organização e declarou respeitar sua decisão. Até a divulgação das informações reunidas para esta reportagem, o conselho não havia anunciado um sucessor definitivo para os cargos de presidente e CEO.
Ativismo animal amplia pressão sobre a moda
O protesto na COS ocorreu em um momento em que o uso de materiais de origem animal continua sendo questionado por organizações de defesa dos animais e por consumidores. A lã, especificamente, tornou-se o foco da manifestação da PETA, que defende a retirada do material das coleções da H&M e da COS.
Em sua versão sobre o caso, a PETA classificou a reação de Kolb como violenta e vinculou o protesto a preocupações sobre o tratamento de ovelhas na cadeia de produção de lã. A organização também usou o episódio para pressionar as marcas a reverem suas escolhas de materiais.
A discussão ultrapassa, portanto, o confronto ocorrido na passarela. Ela envolve transparência na cadeia de fornecimento, certificações, bem-estar animal e a maneira como empresas e instituições respondem a manifestações públicas. No caso do CFDA, a renúncia de seu principal executivo transformou um protesto durante um desfile em uma crise institucional para a entidade.
Impacto para o CFDA e a New York Fashion Week
O CFDA tem papel relevante na organização e na representação da moda dos Estados Unidos, enquanto a New York Fashion Week reúne marcas, profissionais, imprensa e compradores em torno dos lançamentos da temporada. Por isso, o episódio ganhou dimensão além da apresentação da COS e passou a envolver a imagem da entidade responsável por parte importante do calendário fashion norte-americano.
A Vogue também noticiou a renúncia de Kolb após o confronto com os manifestantes. Já a Reuters, em reportagem publicada pelo Investing.com, registrou a saída do executivo depois da disputa durante o desfile.
Com a renúncia, o CFDA encerra a participação de Kolb na liderança da organização e precisa definir os próximos passos para preencher os cargos. O caso deixa como consequência imediata uma discussão sobre limites em protestos, resposta institucional e responsabilidade de lideranças em eventos de grande visibilidade. Para a moda, a controvérsia reforça que escolhas de materiais e posicionamentos corporativos podem repercutir tanto nas coleções quanto na governança do setor.